15 de ago. de 2009

Há algo de muito podre no reino do Brasil

Senador Suplicy pede investigações sobre José Sarney e o seu afastamento, fazendo o uso de um Cartão Vermelho para mostrar a sua não aceitação da Crise do Senado, no dia 25/08/2009

RAFAEL NORONHA

Fazer referência à Hamlet, de Willian Shakespeare, parece bastante apropriado ao se falar do Brasil na atualidade, pois não há dúvidas de que o cenário político contemporâneo esconde algo de muito podre. Obviamente que essa podridão toda não é recente e não é culpa somente dos políticos, de algumas ou muitas formas ela diz respeito a todos nós.

A História do Homem nos mostra o quanto os jogos de poder estiveram presentes em todo sempre! Desde a Pré-História o Ser Humano busca sobreviver, estabelecendo a lei do mais forte e desde lá os nossos ancestrais viviam bem a ideia de Thomás Hobbes – o Homem é o Lobo do Homem.

A História do Brasil é marcada por glórias, obviamente, todavia também é repleta de infortúnios, desde os primeiros portugueses e toda a lógica criada para a colonização, dentro de um Pacto Colonial que nunca foi um pacto, pois só favorecia à Coroa Portuguesa com certeza! A nossa independência foi marcada pela ilusão do grande herói, a República começou com o coronelismo, que ainda parece marcado em nossa política, e seguiu com momentos de avanços democráticos e retrocessos. A Ditadura Militar entre as décadas de 70 e 80 diminuiu a capacidade pensante de uma grande massa da nossa população.



Hoje assistimos a nossa democracia, sempre frágil e nunca total, se curvar nojentamente aos piores jogos de poder. A crise política (a mais atual possível) gira em torno do Presidente do Senado, José Sarney (PMDB), acusado de nepotismo, favorecimento de amigos e parentes, contas secretas fora do país, desvios de recursos públicos e irregularidades administrativas, abusando de atos secretos – utilizados para tomar medidas administrativas de forma sigilosa como nomear, exonerar, aumentar salários e ampliar verbas. Ok, ele não deve ser o único responsável por isso, até por que os 663 atos até onde se sabe, estão sendo usados desde 1995, sob a responsabilidade do ex-diretor da Mesa Diretora do Senado, Agaciel Maia, nomeado para o carga há 14 anos, pelo próprio Sarney.

O mais espantoso – talvez nem tão inesperado assim – seja a formação de uma grande blindagem para que não se apurem as tais acusações que pesam sob Sarney, com direito a alegação de respeito à biografia. Ok, respeitemos o seu passado de apoiador à Ditadura e de Presidente da República, porém a realidade cruel do presente se faz irrefutável.

Mais cruel ainda – ou bizarro – é assistir a amizade desde a infância que surgiu agora entre Sarney, o senador Fernando Collor (também ex-Presidente da República, afastado do governo por corrupção) e o senador Renan Calheiros (ex-Presidente do Senado também afastado por acusações de corrupção).



Sarney e Collor se confraternizam, enquanto Renan ri. Espero que a piada não seja sobre nós!

A tentativa do Presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB – parece o mesmo partido de Sarney, não?) de arquivar todas as representações contra José Sarney é apenas a ponta do Iceberg do imenso Partidão que é o Congresso, afinal a podridão não fede apenas em um e muitos temem pelo o que ainda se esconde e pela CPI da Petrobras, que tanto o Governo teme que vire realidade.

Outrora Lula disse que o nosso Congresso tinha 300 picaretas com anéis de doutor, a música dos Paralamas do Sucesso (vídeo abaixo) continua atual, embora possam existir aqueles que acreditem também que senhor Luis Inácio hoje está nas mãos desses 300 picaretas, mas nós também não nos permitimos estar nos jogos de poder desses que nos representam?

Apesar disso não penso tudo com eterno pessimismo, desacreditando na política com falta de esperança e com ódio ao Brasil, pois é isso que os coronéis querem!

Força sempre!