24 de ago. de 2008

Racismo é burrice

Texto de Rafael Noronha
O título dessa postagem nos remete um pouco sobre uma questão já tratada nesse blog: a questão do preconceito (http://historiaeatualidade.blogspot.com/2008/05/muito-alm-do-13-de-maio.html). O título também é uma ligação com a música do Gabriel Pensador que reflete questões pertinentes:

"Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar"Racismo, preconceito e discriminação em geral;É uma burrice coletiva sem explicaçãoAfinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de uniãoMas demonstra claramenteInfelizmentePreconceitos milDe naturezas diferentes..."

Ao se falar em Brasil, parece que tal união só aparece em momentos festivos (lembrem-se da Copa do Mundo ou do Carnaval – momentos exemplares do orgulho brasileiro pela metade que temos)
Ilustração de Jean Baptiste Debret

"Mostrando que essa gente Essa gente do Brasil é muito burra E não enxerga um palmo à sua frentePorque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais conscienteEliminando da mente todo o preconceitoE não agindo com a burrice estampada no peito A "elite" que devia dar um bom exemploÉ a primeira a demonstrar esse tipo de sentimentoNum complexo de superioridade infantil Ou justificando um sistema de relação servilE o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminaçãoNão tem a união e não vê a solução da questãoQue por incrível que pareça está em nossas mãosSó precisamos de uma reformulação geralUma espécie de lavagem cerebral"

Será que se esquecemos do passado escravista no Brasil, esqueceríamos do preconceito? Acredito que não, pois sem o escravo o Brasil não teria se construído enquanto nação. Aliás...

"Olhe a nossa história Os nossos ancestrais O Brasil colonial não era igual a PortugalA raiz do meu país era multirracialTinha índio, branco, amarelo, pretoNascemos da mistura, então por que o preconceito?"

Por Jean Baptiste Debret

Um dos pontos a serem discutidos é se o tal racismo ou preconceito ainda existe, pois não é raro ouvirmos que isso é coisa do passado.

"Racismo é burrice mas o mais burro não é o racistaÉ o que pensa que o racismo não existeO pior cego é o que não quer verE o racismo está dentro de vocêPorque o racista na verdade é um tremendo babacaQue assimila os preconceitos porque tem cabeça fracaE desde sempre não pára pra pensarNos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinarE de pai pra filho o racismo passaEm forma de piadas que teriam bem mais graçaSe não fossem o retrato da nossa ignorância"

E você? O que pensa sobre isso tudo? Já vivenciou algum tipo de preconceito? Acredita que a questão do racismo é coisa do passado?

21 de ago. de 2008

1968 – O Ano Mágico de Nossa História

Texto de Rafael Noronha
Introdução
O ano de 1968 – embora deixado um pouco de lado devido a movimento inicial pelo ano de 1808 (chegada da família real portuguesa ao Brasil) – vem ganhando mais destaque ao longo de 2008, pela sua representatividade histórica. Livros, revistas e jornais mostram estudos sobre o tema e quem teve a oportunidade de ir à Bienal do Livro 2008 (e conseguiu encontrar!), pôde ver a exposição “1968, Mordaça no Estadão”, que exibiu jornais censurados do Estado de S. Paulo na época da Ditadura Militar no Brasil. Além disso, especialistas afirmam que o ano 1968 deverá disputar espaço com 1808 nas provas de vestibular!
Para Pensarmos
Como pode um ano, um específico ano ser tão simbólico e representativo em nossa História?

Mitos, verdades e histórias a parte, o fato é que o ano de 1968 foi importante no Brasil e no Mundo.

O mundo vivia em plena Guerra Fria e seus desdobramentos.

O Brasil vivia em plena Ditadura Militar.


Anos de Chumbo no Brasil, durante a Ditadura Militar

Ou seja, dois momentos únicos em nossa História, conectados por um mundo de transformação.

Conectados?

Bom, não havia Internet, mas a televisão fazia bem o papel de unir o mundo pela recém nascida globalização.

Observe alguns fatos importantes:

30 de Janeiro – em plena Guerra do Vietnã: os vitcongues lançam a “Ofensiva Tet” contra os norte-americanos no ano novo vietnamita. A Guerra do Vietnã gerou uma série de protestos no mundo.

Em 5 de Fevereiro: estudantes da Espanha e da Itália ocupam universidades e na Alemanha um consulado americano.

17 de Março: estudantes atacam a embaixada americana em Londres

4 de Abril: Martin Luther King, importante líder negro na luta contra o preconceito nos EUA, é assassinado.

Maio de 68: na França, estudantes fazem uma série de protestos, seguidos de protestos dos trabalhadores
Manifestação dos Jovens em Paris


5 de Junho: o pré candidatado democrata, Bob Kennedy é assassinado nos EUA

26 de Junho no Brasil: é realizada a Passeata dos Cem Mil, contra a Ditadura

Passeta dos Cem Mil contra a Ditadura Militar

Cena da Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro
20 de Agosto: tropas soviéticas invadem a Tchecoslováquia e colocam o fim no sonho de um socialismo mais humano, começado em maio de 1968, que tinha dado início à Primavera de Praga.

15 de Outubro no Brasil – prisão dos líderes do movimento estudantil no Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE)

Ufa! Essas são apenas alguns fatos que marcaram 1968. Um ano em que a juventude mostrou que “que quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, como diria a canção de Geraldo Vandré, em que muitos ainda acreditavam em um socialismo mais humano, em que a música dos Beatles, Jimi Hendrix e Janis Joplin embalava a juventude mundial, assim como no Brasil um movimento musical chamado Tropicalismo, liderado por Caetano Veloso, servia como voz para aqueles que queriam um novo país, da mesma forma que a cultura do PAZ e AMOR dos Hippies se espalha pelo mundo e o Brasil girava feito a roda-viva de Chico Buarque, em especial no final do ano, com o Ato Institucional nº 5.


A Explosão Hippie com o Musical "Hair"
Capa do Disco de Caetano Veloso

Beatles - a voz da juventude naquela época

Desde o início da Ditadura Militar em 1964, o governo fazia uso dos Atos Institucionais, com peso de leis, para conseguir se manter no poder. O Ato Institucional Nº 5, o AI-5 foi o golpe mais duro dos militares, pois com ele o Presidente assumia todos os poderes, podendo decretar o recesso do Congresso Nacional, intervir nos estados e municípios, cassar mandatos parlamentares, suspender, por dez anos, os direitos políticos de qualquer cidadão, decretar confisco dos bens considerados ilícitos e suspender a garantia do habeas-corpus. A partir disso a Ditadura Militar assume a sua forma mais violenta e nem a música “É Proibido Proibir” de Caetano Veloso conseguiu impedir a proibição geral que se instalou no Brasil.

Jornal Anuncia o AI-5


Considerações Finais
A partir desse breve resumo sobre 1968 é possível imaginar por que 1968 foi tão marcante em nossa História, contudo, por que 1968?
Zuenir Ventura, autor da obra “1968: o Ano Que Não Terminou”, afirmou, em entrevista à Revista Época que:



Foi um ano muito especial. Um momento de uma sintonia mágica, misteriosa. [...] Achava que se podia mudar tudo através da ruptura, da revolução. A ironia da história é que eles [os jovens] não fizeram a revolução política, mas acabaram fazendo a revolução cultural”



Um ano especial e em outro momento histórico, contudo, será que hoje nos falta um pouco mais desse espírito revolucionário de 1968?



Fontes de Pesquisa:

Revista Época – Reportagem “1968 – o ano das transformações” – 7 de Janeiro de 2008

Revista Aventuras na História – “1968 – o ano que moldou o mundo” – Maio de 2008

Revista História Viva – “1968 – o ano zero de uma nova era” – Maio de 2008

Site FGV – CPDOC – “O AI-5: O Golpe Mais Duro do Regime Militar” -
http://www.cpdoc.fgv.br/nav_fatos_imagens/htm/fatos/AI5.htm

19 de ago. de 2008

Liberdad, Ufola!

texto de Rafael Noronha

Olá para todos que passeiam por aqui, em especial para os alunos do 8º ano 2008, afinal, o título dessa postagem é o mesmo do capítulo 06 do nosso livro! Estamos estudando ao longo desse ano sobre os movimentos sociais, percebendo que, por muitas vezes, a História é construída por dois pontos: INTERESSES e a busca por LIBERDADE!

Vimos que esses dois pontos estiveram presentes na época do feudalismo, da escravidão no Brasil e na busca pela nossa Independência (antes e depois!!!)

Mas o que é mesmo liberdade?

Segundo um dicionário virtual... 


- faculdade de uma pessoa poder dispor de si, fazendo ou deixando de fazer por seu livre arbítrio qualquer coisa;
- gozo dos direitos do homem livre;
- independência;
- autonomia;
- liberdade de consciência: direito de emitir opiniões religiosas e políticas que se julguem verdadeiras;
- liberdade de imprensa: direito concedido à publicação de algo sem necessidade de qualquer autorização ou censura prévia, mas sujeito à lei, em caso de abuso;
- liberdade individual: garantia que qualquer cidadão possui de não ser impedido de exercer e usufruir dos seus direitos, exceto em casos previstos por lei.


Lendo assim parece fácil, não é mesmo?
No entanto, na atualidade ou no passado, essa tal liberdade sempre foi algo difícil de ser conquistado.

Iremos estudar que ao longo do tempo ela foi uma conquista coletiva em países da América Latina, da Ásia e da África. Veremos também que a ‘senhora’ Inglaterra também influenciou e muito a colonização de vários países pelo mundo até o início do século XX.

No final do semestre vocês apresentaram o tema liberdade (veja as fotos abaixo) e um dos textos que apresentamos foi o de Cecília Meireles que diz:

“ Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda…”

(Imagens da apresentação dos grupos) :

Mesmo assim, devemos continuar nossa reflexão e nos questionarmos, por que conquistar a liberdade é algo tão difícil? Será que ela começa quando terminar a do outro? Ou será que liberdade se constrói junto com outro? LIBERDADE EXISTE?